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numa suave dança, noite a fora?
mar a dentro?
entre nuvens
...e nuvens se escondendo?
e toque de leve nas mãos
para esquecer que meus pés
não conseguem sair do chão.
Lá do alto, me inunda de paz
e cada vez mais
ilumina(-me)."


...As fadas são que nem as borboletas.
Se rastejam até o dia em que decidem mudar.
E ao invés de pôr-se em pé, voam.
A diferença é que os seus rastejos são mentais
sob as dúvidas que atormentam seus corações,
enquanto as borboletas, ainda lagartas, sujam-se de terra.
A outra diferença é que os vôos das borboletas duram em média dois meses.
As fadas são eternas, encantadas e iluminadas...
...embora alguns ainda acreditem que elas não passam de uma lenda.
Ao ter contato com uma delas,
você pode até enganar-se ao observá-la,
acreditando cegamente que o seu bem servir
dá-se ao desejo dela de obter mais e mais luz.
Mas vai surpreender-te, os olhos teus,
quando ao longe enxergar as mãos daquela fada
a pôr estrelas no teu céu de marfim,
tentando dar mais e mais luz à tua vida de carmim,
quando só imaginas que ela vai roubar as poucas estrelas que te restam,
e rir-se do teu sangue, a jorrar por aí.
Conheces mesmo tuas amigas fadas?
Então não temas o que suas mãos decidirem fazer...

São quatro na lista. Joey, Alen e Toshio. Estes foram os rapazes que chegaram ao posto de envolvimento maior com ela. O quarto é Eru, o único que ainda ocupa boa parte de seus pensamentos.
De cabelos presos, olhos fixos no banco à sua frente, sua mente permeava os mais absurdos conectivos que poderiam enfeitar a sua chegada na próxima estação. Sua saia solta já não a preocupava, contrariando o rito diário de esconder as finas canelas, Tarallethiel estava imunda. Não naquele sentido feio por falta de asseio, mas imunda por estar completamente desleixada em relação ao que os outros poderiam pensar sobre seus atos, passos, faltas, desapegos...
Luz... ação!
A porta se abriu e ela pensou mais uma vez antes de sair "...e se estiver frio lá fora?" Saltitou junto aos seus cabelos, levando à mão um casaco para cobrir um pouco a pele, que o frio já fazia arrepiar novamente.
Llethiel (pronuncia-se lêfiel, dando ênfase na letra "L", como fazem os espanhóis) caminha sobre os quadros tomando o cuidado de pisar sempre dentro deles, enquanto seus dedos se perdem no bolso a procura de uma moeda, ou um pedaço de papel qualquer para pagar a coca cola que tanto fez falta no caminho. Mais alguns passos até o orelhão mais próximo e podemos ouví-la dizer em um tom quase desesperado: "_Amor! Cheguei!".
Nome estranho, porém belo. Tarallethiel - para alguns, apenas Llethiel - é quase élfico, como a magia que ela carrega em seus olhos observadores. Tem um significado zen, e distante da realidade... ou não! Talvez ser detentora de luz a faça suprimir todas as aventuras que poderiam tornar a sua vida cheia de males, revoltas e dores. Embora as dores estejam presentes quase sempre. Inclusive agora, ao engasgar o seu belo sorriso depois de uma ligação.
"Não me leve a mal, me leve à toa pela última vez
à um quiosque, ao planetário, ao cais do porto, ao passo...
...o meu coração, meu coração, meu coração parece que perde um pedaço,
mas não me leve a sério...
Passou este verão, outros passarão
E eu passo..."