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Podcast - Especial Michael Jackson

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"Keep on with the force don't stop
Don't stop 'til you get enough"

[Michael Jackson]



Hoje, dia histórico porque daqui a pouco começará o funeral de Michael Jackson, aproveito para postar um podcast super especial, feito por esta que vos escreve, como uma busca desesperada de fazer sobressaltar em si uma pontinha de alegria, dor, sorriso ou lágrima. Algo que me tire desta anestesia que não me permite crer que toda esta magia acabou.

Não sei o que você irá fazer, mas eu vou apertar o play da sessão "Nas Ondas do Rádio" e deixar fluir o que há pra sentir.

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Adeus Michael

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"I was alone in the dark when I met you
You took my hand and you told me you loved me
I was alone, there was no love in my life
I was afraid of life and you came in time
You took my hand and we kissed in the moonlight"

[The Way You Love Me - Michael Jackson]


A idade das memórias

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"Só vemos as coisas da melhor forma
quando estamos prestes à deixá-las.
Daí é como se fosse a primeira vez,
parece que tudo está brilhando"

[Alice - How About You?]


Alice e Helle observando a paisagem do rio


A terceira idade é mesmo algo intrigante. Às vezes você não sabe porque certos velhinhos se entristecem ou ficam extremamente zangados tão rapidamente com algo que você faz ou fala. Tudo o que você fizer a eles (ou para eles) deve seguir um ritual, deve ser bem pensado de acordo com o que eles acreditem que seja uma boa conduta, uma boa maneira, uma boa forma de abordá-los. São como bichinhos indefesos que precisam de um motivo para confiar em você primeiro, para depois deixá-lo invadir sua privacidade tão particularmente resguardada.


Meus três avós estão vivos (duas vovós e um vovô), e costumo dizer que sou abençoada por isto. Nem todo mundo tem essa glória de conviver com os valores dos avós e ouvir ditos populares do tempo deles como "homem é assim, vc dá a mão, e eles querem o pé" (oaheoeuhaoeuae!). "Eu vou me zangar? Pra quê minha filha? No cantar do sabiá eu tô na cozinha fazendo o chocolate dele, que chega, me dá bom dia, e a gente dança denovo". Estas são palavras um tanto sábias da minha avó Iracema, que tem muita culpa em relação a minha maneira de ver o mundo.


Vovó Iracema Lemos no seu aniversário de 83 anos


Fui criada pelos meus avós, praticamente. Meu pai é músico, tocava a noite inteira e precisava dormir durante o dia. Minha mãe era professora, trabalhava o dia inteiro e só nos via a noite. Meu irmão e eu vivíamos passando o dia na casa de um e de outro, dos três vovozinhos. A vó Iracema fazia bolos, comidinhas coloridas (batidinho com quiabo e abóbora), contava histórias de sua juventude, quando fugia de casa pra dançar com o vovô e eu adorava ouvir tudo isso pra zuar depois.


Meu avô Nonato, vai ter pra sempre a alma de boêmio. Ainda hoje toma um punhadinho de vinho "porque faz bem para o coração" (haoehaouhaeh!). Ele trabalhava como técnico em eletrônica, sua casa era cheia de televisores velhos, rádios em formatos estranhos, cheios de curva, botões enormes... E também tinha muita música e muito pó. Vovô ainda hoje faz mágica com o seu pó do pirimpimpim.


Vovô Nonato brindando o aniversário da Vovó


Os dois criaram o hábito de acordar cedo (religiosamente às 4hs da manhã), tomam seus banhos (cada um em seu banheiro), ele arruma a cama e depois senta à mesa, enquanto ela prepara o café da manhã. Eles tomam o café assistindo tv, depois ligam o som. Geralmente num samba ou chorinho das dezenas de cd's e lp's que ele tem na sala. E os dois dançam... Dançam e falam do "antigamente" com um sorriso na face. Hoje cedo cheguei lá e eles estavam dançando e sorrindo. Os olhos da minha avó brilhavam, e ele (que quase nem caminha porque os pés estão sempre inchados) sorria da própria dificuldade que sentia em dançar como antigamente.


Minha outra avó, Ozita (aquela dos leques), era meio que o oposto disso. Apesar de ser mãe do músico, ela não ouvia música em sua casa (exceto nos dias de festa). Assim que se aposentou, minha avó vivia cuidando da sua casa imensa, recebendo visita de parentes que moram longe e sempre buscavam o apoio dela em alguma coisa (nem que fosse pra brigar), e vivia como se fosse a Chefia-Mor da família, aquela que a todos aconselhava. Ninguém dava um passo sem o consentimento dela.


Vovó Ozita e seus leques


Os dias na casa dela eram de desenhos na frente da tv, de comidinhas maravilhosas (paçoca feita com carne de sol e rodelinhas de banana, pudim de leite), mas também muita ordem. Ela me ensinou a datilografia, e eu digitava textos enquanto ouvia suas frases bem diretas "treine para ser mais rápida". Poderíamos brincar sim, mas nada de sujeira, bola ou brinquedos que pudessem quebrar ou danificar suas coisas. Os jogos eram de raciocínio (stop, adedonha, dominó, banco imobiliário). Filmes eram muito bem vindos, desde que houvesse uma lição de honra.


Vovó perdeu o esposo cedo, com cinco filhos para criar. Passou fome, estudou com a ajuda de amigos que a ensinavam tudo, e conseguiu um emprego digno, que a fez crescer ao ponto de praticamente sustentar a família inteira e mais um pouquinho. Quando a aposentadoria chegou, os problemas também vieram e ela começou a se preparar para o pior. Fez isso com o apoio dos filhos. E apesar de muitas vezes parecer amargurada, zangada ou fria como um general, ela era amável e doce. Seus beijos e abraços estavam sempre presentes, assim como as explicações para o "vc não deve fazer isto porque...".


Em 2002 ela teve um derrame, uma esquemia cerebral. De lá pra cá, quem sempre cuidou da vida de todos, teve que se acostumar a vivenciar o outro lado da moeda. Agora é ela quem recebe todos os cuidados do mundo, e não vive sem estes. Ela não anda, tem dificuldades de fala, mas tem lucidez e um senso de humor fantástico. Lembra de tudo, se esforça e consegue se expressar quase sempre. Teve que deixar sua imensa casa de lado para morar em minha pequena casa. Sorri e me beija quando eu pulo na cama dela, dou bom dia e digo "minha benção vó?". Hoje ela sorri por mais tempo, e aproveita mais a companhia das pessoas observando-as calmamente em seu cantinho.


Vovó Lilás e Vovô Noel brincando no último natal


Até quando vou ter essa benção do convívio com eles, eu não sei. Mas eu sempre tive a certeza de querer aproveitar todo o tempo que me resta. Às vezes eles são intolerantes com eles mesmos, às vezes se entristecem e se zangam com alguma coisa aparentemente boba, e eu dou o tempo que eles precisam para processar mentalmente o ocorrido. Mas depois eu volto em busca do meu sorriso querido... E eles me dão.


E tudo brilha...


Helle e os quatro idosos do filme


Há alguns dias assisti ao filme De bem com a vida, cujo título original é How About You?, e me deu vontade de compartilhar aqui algo que pudesse expressar a minha relação de gratidão com os meus avós, e pedir a todos que assistam. Porque o que se vê por aí são pessoas maltratando seus velhinhos sem pensar no que eles devem ter vivido. Algumas pessoas simplesmente não respeitam suas decisões absurdas e seus desejos mais íntimos de quietude e recolhimento. Elas tentam arrancá-los de suas tristezas como fazem com qualquer outra pessoa.


Mas eles não são como uma pessoa qualquer. São de outra época, vêem de outros costumes e demonstrações de afeto, da época em que o perguntar "se vc quer passear comigo", era bem mais gentil que simplesmente sequestrá-los para uma tarde em algum lugar diferente. Corremos demais, e não podemos exigir que eles nos acompanhem. Porém...temos um jeito de fazer isso.

Helle atendendo ao pedido de Alice: "mais rápido!"


O filme fala de uma moça chamada Helle, que vai passar uns dias no Azilo que sua irmã construiu depois da morte do marido. As coisas não vão muito bem por conta de quatro velhinhos ranzinzas, que espantam todos os outros clientes com suas reclamações e desaforos. Mas basta uma boa dose de verdade, mesclada a carinho, atenção e "ocupação" para que eles despertem coisas melhores dentro de si, e mostrem um lado que até então era desconhecido.


A maioria das fotos são do filme, que vale a pena ver. Porque as vezes nós, ditos jovens, agimos como se fôssemos mais rabugentos que os velhinhos os quais convivemos, e é sempre bom um tapa na cara com um pedido de "ei! aproveita a vida!". Por estas e outras, fica aqui o meu pedido:


Sejamos para sempre jovens.


Geórgia Summers brincando com bolas de neve



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The Ventures!

Esta música merece um vídeo, e não só um "remind me" no Podcast!
Então... segue:


The Ventures - Wipe Out!






The Ventures foi uma banda de Surf Rock instrumental formada em 1958 por Don Wilson e Bob Bogle. Também passaram por ela os guitarristas Nokie Edward, Gerry McGee e o baterista Mel Taylor (mais tarde substituído por seu filho, Leon Taylor).

São 50 anos de história (isso mesmo! a banda ainda existe!), com mais de 100 milhões de discos vendidos, 14 músicas nas paradas de sucesso e 37 LPs lançados. Para mais informações visite o site oficial de The Ventures, clicando aqui.

Ou tenha um pouquinho de paciência e espere o próximo Podcast que será dedicado a eles, com um post todo especial contando um pouco da história da banda... Mas isso, só depois!

xD

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Parnaíba - Formas e Cores




Quando fui até lá não imaginei que teria que agüentar "beber, cair e levantar" por uma viagem inteira. Mas comecei a ter noção de que isso sería possível quando a van estava chegando em Parnaíba, e eu já havia perdido a conta de quantas vezes eu havia escutado aquilo.


Mas não deixou a aventura menos interessante.


:D




Quando de longe ví as formas e cores, não tive dúvidas, estava em Parnaíba. Uma cidade pacata, pequena (por ter tudo muito perto), e grande em suas riquezas que muitas vezes passam desapercebidas. Sítio histórico com seus palacetes, suas artes, desenhos nas calçadas, poesias e paixões de praças ou beira-mar.




Por lá, passei alguns dias visitando parentes, amigos e esta beleza colorida que muito me atrai. Mas escrever mesmo... só farei isto depois.

Por enquanto.... fiquem com as fotos...[clique aqui para vê-las]

;D

2007 - o ano das grandes perdas.








"Luto.
O que para ele era verbo
para nós é saudade
".

Norton Nascimento
Mais um dos grandes atores brasileiros que perdemos em 2007.

Espero que vc também tenha aprendido com ele coisas sobre a vida.
Doe vida.

Edvaldo Borges...5 anos sem você!

Adoraria postar aqui uma foto de quem me ensinou a cantar!

e tenho tantas na minha caixinha de belas recordações...

Ver denovo aqueles cabelos grisalhos, com aquele sorriso de menino traquino, olhar de pai, jeito elegante, gentil e simpático. Ah, sería bom! E com certeza o meu pai adoraria isso hoje, porque há horas as lágrimas dele caem...




Este moço que gostaríamos de ver denovo se chama Edvaldo Borges. Ele foi um ícone para mim, alguém por quem tive muito respeito como se fosse um pai.

E de fato ele era o melhor amigo do meu pai...



Juntos eles tocaram pelo norte e nordeste com um grupo musical chamado "Skema 3", que teve início em meados de 83, mas durou pouco tempo (pouco mais de 3 anos). Com a saída do trompetista (Bossa), eles continuaram a tocar em restaurantes, pizzarias, festas particulares, clubes (na velha matinê de domingo) como grupo "Skema Certo".


Não me perguntem o "porque" deste nome, pois realmente não faço a mínima idéia! kkk!!!


Edvaldo cantava e meu pai (Chiquinho) tocava teclado.
... Aqui no Piauí os dois proliferaram o melhor da MPB, e principalmente, Boleros e Bossa Nova! Lançaram 3 bolachões (LPs), e anos mais tarde relançaram o primeiro disco do Skema 3 "Teresina Meu Amor" em cd.


Ah... "Bossa Nova" ... lembro bem que esta era a palavrinha mágica que tamborilava em meus ouvidos na infância. Bossa Nova era um mundo mágico que se eu conseguisse não tremer a voz, eu poderia tentar cantar com tal perfeição, atentando bem para a mudança de notas em compassos quebrados porém rítmicos. E eu deveria saber quebrar estes compassos de um jeito legal, eu deveria saber trocar as notas e gritar também... e tudo era mágico.



Há 11 anos eu estava na piscina do Clube dos Economiários, me esbaldando em nados, quando ele começa a chamar: "Tânia Samaaaaraaaa? Por favor, venha até o palco"... e eu sem entender nada saí da piscina, procurei uma toalha com medo de levar um choque, e fui até lá passando a toalha no corpo pra tentar secar todas aquelas gotinhas de água que se misturavam ao suor do nervosismo, de não ter a mínima noção do que poderia ser. Na minha casa sempre tivemos o costume de só chamar pelos dois nomes quando alguma coisa errada tinha acontecido. E eu cá comigo a pensar "ai meu Deus! o que eu fiz?"



Subo no palco e ele pergunta: "está tudo bem com você?", e eu respondo que sim, baixando a cabeça. Todos sabiam bem que naquela época eu preferiria morrer ao ver tanta gente me olhando, e os meus olhos de incerteza ao encará-lo não negava o desconforto. Alguns falavam: "deixa a menina, ela é tímida", e ainda sem entender, me pus ao lado dele à espera de uma frase, de um gesto, ou de qualquer coisa que ele me pedisse pra que eu saísse logo dalí.


Ele pega o microfone e diz: "Esta é Tânia Samara, filha do nosso maestro. Uma das melhores cantoras que eu já ouví em toda a minha vida!" Eu olhei pra ele sem entender nada. E ele continuou: "Ela tá assustadinha assim, mas ela se solta já já...não olhem muito pra ela...apenas ouçam!".


As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, eu pensava no mico que pagaria diante de tanta gente que eu nem conhecia, até que ele se ajoelhou, e diante de mim falou: "vc confia em mim?", e novamente eu baixei a cabeça dizendo que sim, e ele completou: "Samaaaraaaa, não há ninguém aqui! só eu, vc e seu pai, e a gente vai cantar como se estivéssemos ensaiando, tá bom? Feche os olhos, eu tô do seu lado!".


Eu olhei para o meu pai que pediu pra eu fechar os olhos. depois olhei pra ele que com o olhar de "pidão" me pediu denovo. E eu fechei os olhos...



...e naquela explosão de sensações, inspirei, prendi o ar, e me pus a pensar! * Eu quero um buraco pra me enfiar! Eu quero um buraco pra me enfiar! Eu quero um buraco pra me enfiar!
Mas eu tava no lugar mais alto: o palco!



Ele segurou minha mão e expirei pensando "eu vou ouvir a canção"...
Fiquei a escutar um tempo e logo depois comecei a cantar. Cantei e me empolguei! Não lembrava que estava em um clube! Muito menos que estava em um palco! E pela primeira vez eu senti a sensação de orgulho mesclada à timidez de um artista cru que recebe calorosos aplausos.



Recebí por ele,
por meu pai (que até então não queria isto),
e por minha mãe (que o fez me ouvir cantar escondido).


Daí em diante ele foi me podando como um Bonsai. Me fazia escutar Luis Miguel, fazia a cabeça do meu pai pra que ele me deixasse estudar música, e o tempo foi passando...


Em 25 de Setembro de 2002, eu acordei com o chôro da mamãe, e a inquietude do meu pai. Demoraram para me dizer, tive que abraçar muito a minha mãe até ela conseguir dizer: "seu tio Edvaldo morreu".


Eu não entendí nada. Não sabia o significado da morte até o dia seguinte, quando ví o caixão dele ser fechado. Eu ainda tinha esperanças de que ele só estivesse dormindo...


Foi aí que eu percebí que não escutaria mais aquela voz a chamar: "Tania Samaaaaraaa"


Mas as canções... ainda ouço.
E caso você tenha uma bebida por aí e queira ouvir um bolerão daqueles que seus pais ouviam... Clique aqui!
 
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